Como surgiu o CuraModa

O CuraModa é um brechó online que nasceu da necessidade, assim como inúmeros negócios no nosso Brasil. No início era despretencioso, organizado apenas por mim - Gabriela -, uma estudante de Design de Moda que não se encaixava às funções de uma estagiária. Sim, mesmo completamente inserida no meio da Moda, havia uma insatisfação, um descontentamento, ao que a indústria busca de seus funcionários e ao que ela representa aos consumidores.

No meio de tanta informação nova na faculdade, junto a aprendizados e reflexões internas, foi impossível se render aos estágios com funções completamente mecânicas, necessários apenas para fazer a roda girar. Com tantos questionamentos e com a necessidade de fazer uma grana extra, decidi vender roupas na internet, no Facebook mesmo. A brincadeira deu certo, as opções de estágio começaram a ser reduzidas e o interesse em desenvolver um projeto em torno de peças usadas falou mais alto. Em questão de meses comprei algumas roupas, melhorei as fotos e montei um Instagram exclusivo para vendas. Esse foi o começo!  

Consumo consciente e o impacto dos brechós na indústria 

Ao longo dos meses, o desejo de consumir de forma consciente e de trabalhar em um meio mais ético, cresceu. Depois que entendi um pouco sobre o nosso impacto, foi inevitável buscar alternativas de consumo mais acertivas, e a ideia de desenvolver um brechó é a extensão desse interesse. 

Compreendo que nada será 100%, mesmo um modelo como o brechó, que não gera resíduos têxteis com uma produção, por exemplo, terá suas falhas, mas o importante é seguir construindo uma comunidade consciente dos impactos da grande indústria. 

A indústria da Moda hoje trabalha a todo vapor, com coleções a cada semana, em alguns casos! Em contrapartida, os brechós trabalham com o que está pronto, ou seja, conseguimos reduzir inúmeros impactos da cadeia de produção. Mesmo com atualizações semanais, o impacto de um brechó não chega nem perto do de uma grande empresa, fora que a intenção de reutilizar roupas é prolongar o ciclo de vida da peça, e não fazer o consumidor comprar na intenção de descartar. Por isso que a sustentabilidade está tão envolvida no mercado de reuso! 

Gosto de lembrar que sustentabilidade não envolve apenas o meio ambiente, mas também a economia e a responsabilidade social. Desenvolvendo o brechó tenho a consciência de que estou reduzindo resíduos, girando a economia colocando o dinheiro na mão das pessoas certas - não das grandes empresas que já lucram horrores - e apoiando projetos sociais, já que todas as peças são frutos de ações beneficentes em instituições que ajudam idosos, pessoas com câncer, mulheres em situação de vunerabilidade, crianças com AIDS, enfim... a lista é grande. 

Reuse, ressignifique!

A ideia de reutilizar roupas é cultural. Há comunidades que enxergam o reuso de forma natural, enquanto outras ainda acreditam ser roupa velha, de "gente morta" ou com "energia ruim". São inúmeras as justificativas para não consumir em brechós, mas percebo que isso está mudando! Graças a um movimento de conscientização e ao fácil acesso a informação, as pessoas estão ressignificando vários aspectos da vida, inclusive o uso das roupas!

Ressignificar a peça e o seu modo de uso é uma das melhores formas de sair do comum, conhecer a si mesmo e construir um estilo autêntico. Aquela bolsa antiga da sua avó ou calça de alfaiataria da sua mãe podem render diversas combinações, indo desde o vintage até o moderninho, mas não vou mentir para vocês, requer criatividade! Consumir em brechós e ressignificar as roupas que estão nesses espaços, é estar livre para tomar decisões únicas.

Vocês já devem saber, mas comprar em grandes lojas é considerado fácil, pois os produtos sempre seguem um padrão pré-determinado que são expostos de maneira pronta, sem que a cliente precise pensar. No brechó é diferente, pois, apesar de ter uma curadoria que facilita a compra, é um espaço com diversidade de modelos, tecidos, cores e texturas, fora o fato de ninguém seguir a risca as tendências impostas pela indústria. 

Curadoria

Toda curadoria é única, estou aprendendo isso diariamente. Quando saio para garimpar sinto que tenho uma folha em branco, pronta para ser rabiscada. Apesar de ter uma base que enolve informação de Moda, estudo de tendências e observação de público, o resultado é sempre único, pois nunca encontro peças iguais. Sempre surgem novidades ou itens que nunca havia pensado em como combinar, é com certeza uma das partes mais divertidas do processo!

A minha intenção em fazer uma seleção de peças é propor a diversificação, mostrar como é possível fazer um mix de estilos e epócas para obter resultados interessantes, ou até mesmo inusitados. É estar aberto a possibilidades e ver a Moda como um estilo de vida, não como apenas o ato de vestir. 

Cuidado e humanidade

Desde o início, o CuraModa é feito por uma PESSOA que tem interesse em semear o consumo consciente para outras PESSOAS. Essa relação que tenho desenvolvido ao longo dos anos não surge do dia para noite, nem quero isso, mas é resultado do cuidado, afeto e respeito que desenvolvo com o próximo. O meu objetivo é mostrar uma Moda humana e ética, e para isso, nada melhor que ser transparente nos meus processos junto aos clientes. 

Conheça a Curadoria